quinta-feira, 7 de novembro de 2019

TEATRO CANDINHA DORIA: MAIS UM ELEFANTE BRANCO?


O Teatro Candinha Dória, já começa a dar sinais de "fadiga financeira de público", sem 01 ano de inauguração. 

O Artista Paulinho Gogó, do elenco do programa A Praça é Nossa do SBT, segundo informações teve um público de aproximadamente 60 pessoas no seu espetáculo do último dia 03. 

A humorista Nany People, em espetáculo no dia 20 de outubro, também teve público decepcionante. 

Se ocorrer pela terceira vez o mesmo fenômeno, poderá se tornar uma tendência.

Um espaço robusto e de manutenção onerosa. Será que Itabuna não comporta tal espaço cultural?

Pode-se  creditar que o preço dos ingressos têm influência nessa falta de público? Custo entre R$ 60,00 e R$ 70,00, ingresso inteira! 

Numa região que chora uma crise econômica faz 30 anos. Que insiste em não se superar, R$ 70,00 pode ser um valor significante.

Teatro continua sendo um equipamento cultural elitizado. Ir ao Teatro ainda soa como algo além do lugar comum.

Quando se pensa que o salário mínimo orça em aproximadamente R$ 1.000,00 e um casal pagaria R$ 140,00 para assistir um espetáculo no teatro, equivalendo a 14% do salário mínimo, sem somar o translado, tendo em vista a localização do teatro, não se pode concluir outra realidade: Teatro não é para pobre! Se for acrescentar uma esticadinha pós espetáculo, melhor FICAR EM CASA!

O tema da Redação do ENEM, trouxe a discussão sobre a Democratização do acesso ao cinema no Brasil. 

E a democratização do Teatro? 

Sendo mais pertinente: VAMOS DEMOCRATIZAR A CULTURA!!!

A cultura não pode e não deve ser apenas lócus onde as camadas populares entrem apenas para a sua construção física. 

DEVEMOS SER CONSTRUTORES, FAZEDORES E DEMOCRATICAMENTE CONSUMIDORES!!!

Se no carnaval não saímos das cordas, se no cinema só nos cabe a bilheteria ou a lanterna e no teatro só nos resta a brita, o cimento e areia, o tema da redação do ENEM, foi muito pertinente em vários aspectos possíveis! 

CIDADÃO

Tá vendo aquele edifício, moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Era quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me vem um cidadão
E me diz, desconfiado
Tu tá aí admirado
Ou tá querendo roubar?
Meu domingo tá perdido
Vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar o meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que eu ajudei a fazer
Tá vendo aquele colégio, moço?
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Fiz a massa, pus cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Vem pra mim toda contente
Pai, vou me matricular
Mas me diz um cidadão
Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar
Essa dor doeu mais forte
Por que é que eu deixei o norte?
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava
Mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer
Tá vendo aquela igreja, moço?
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá foi que valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que Cristo me disse
Rapaz deixe de tolice
Não se deixe amedrontar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asa
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar

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