quinta-feira, 30 de abril de 2020

LYGIA DA VEIGA E JORGE KALIL | COMO A CIÊNCIA BUSCA REMÉDIOS E VACINAS C...



INFORMAÇÕES SÉRIAS E COM TODA BASE CIENTÍFICA QUE A SITUAÇÃO EXIGE EIS UMA LIVE DE EXCELÊNCIA.

Lygia da Veiga: 


A professora também coordena o projeto DNA do Brasil, que vai identificar as principais características genéticas dos brasileiros. O objetivo é estudar como prevenir e tratar doenças, além de mapear os ancestrais da população. A iniciativa, lançada em dezembro de 2019, será o primeiro projeto de sequenciamento de DNA em larga escala no país e vai inserir o Brasil no mapa mundial dos estudos genômicos.


Jorge Kalil:


O imunologista lidera uma equipe composta por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e do Incor. Há duas semanas, pouco após o primeiro caso diagnosticado no Brasil, os especialistas tentam desenvolver uma forma de imunizar as pessoas contra o Sars-cov-2.

terça-feira, 28 de abril de 2020

ITAJUÍPE - COMÉRCIO REABERTO COM RESTRIÇÕES. FLEXIBILIZADO, PORÉM COM RESPONSABILIDADE!



 USO DE MÁSCARA TEM USO COMPULSÓRIO EM ITAJUÍPE
Decreto 046 de 24 de abril de 2020.


Itajuípe a partir do dia 27 de abril, teve uma flexibilização das atividades comerciais, apesar do DECRETO Nº 043 de 20 de Abril de 2020, ter prorrogado o seu fechamento exceto para os serviços considerados e listados no Decreto como essenciais. Contudo, será feita uma experimentação de flexibilização até o dia 02 de maio de 2020. 

Itajuípe conta atualmente com 12 casos testados positivos segundo boletins divulgados pela prefeitura municipal, já o BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO da SESAB, ainda está informando apenas 08 infectados. Veja aqui

Com mais de 30 dias fechado, o comércio de Itajuípe já dava sinais de esgotamento, portas fechadas e contas chegando não é uma matemática favorável. A prefeitura segurou o máximo que pode o comércio fechado, buscando evitar que Itajuípe se torna uma referência negativa de infectados e mortos. Também de forma geral o comércio segurou o que pode suas portas fechadas. 

Esse sacrifício conseguiu segurar a COVID-19, que não se tornou uma estatística catastrófica. Segundo já publicado, Veja Aqui, a maioria dos casos dos infectados, foram de profissionais da saúde e que trabalham fora do município. 

A barreira sanitária monitorou e foi vital para orientar as pessoas que chegavam a cidade ou passavam pelo município com destino às cidades vizinhas a exemplo de Coaraci, Almadina e Itapitanga. Todas as ações conjugadas deram a prefeitura e ao comércio uma certa segurança e expectativa para flexibilização de funcionamento do comércio.

E agora? Está em nossas mãos!!

O sul da Bahia está no "olho do furação" da pandemia mundial e epidemia nacional. A região apresenta um número elevado de casos notificados, confirmados e óbitos. Itabuna e Ilhéus lideram o ranking. São 178 casos em Ilhéus e 148 casos em Itabuna. Não podemos deixar de citar Uruçuca que corre a passos largos rumo ao podium com 21 casos confirmados. 

No coeficiente de infectados por milhão de habitantes Ilhéus está em primeiro e Uruçuca em segundo lugar. Em número de casos Ilhéus é a segunda cidade e Itabuna a terceira. Ou seja, um descuido, um vacilo, um piscar de olho e Itajuípe entra nesse circuito sem sobra de dúvidas.

É preciso *RESPONSABILIDADE!*

Essa responsabilidade é em PRIMEIRO LUGAR DA SOCIEDADE EM GERAL! Sim, o comércio foi flexibilizado, mas se as regras de afastamento, uso de máscaras e outros elementos de segurança não forem respeitados pela sociedade, vai tudo para o LIXO

Todo o sacrifício do comércio, esforço e investimentos da prefeitura, conjugados com o sacrifício do distanciamento social serão perdidos e com gravíssimas consequências se a população começar a acreditar que o pior já passou. NÃO! O PIOR ESTÁ POR VIR! Basta olhar para Ilhéus, Itabuna e Uruçuca. Não é hora de brincar.

Por não está havendo transporte coletivo intermunicipal entre Itabuna e demais municípios da região, o vírus não está se propagando em alta velocidade. O mesmo vale para Ilhéus! Essas cidades por serem pólos de atração, principalmente Itabuna pelo setor de serviços e Ilhéus pelo turismo, tendem a receber muitas pessoas de fora e também enviarem pessoas para cidades circunvizinhas.

Acabando o período de isolamento de Itabuna e Ilhéus dos transportes coletivos intermunicipais, termos uma realidade diferente e mais perigosa.

Não existe remédio para matar o vírus SARS CoV2, que causa a COVID-19, existe tratamento para os sintomas infecção e remédios para as doenças surgidas pelo comprometimento da saúde do hospedeiro. E assim como o HIV, ele não lhe mata, mas provoca outras doenças que podem evoluir para óbito. Isso implica dizer que só seu organismo pode te salvar. E a evolução do quadro clínico para uso de UTI, é um passo arrisco com a carência que já começa a ocorrer.

Está nas mãos da sociedade em geral a manutenção das atividades comerciais abertas. É preciso respeitar as orientações, é preciso evitar sair sem necessidade, é necessário preservar os idosos de exposição, é muito necessário NÃO LEVAR O VÍRUS PARA DENTRO DE SUA CASA!

Comunicado da Associação Comercial aos seus parceiros e associados:


ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE ITAJUÍPE -ACEI


O COMÉRCIO DE PRODUTOS NÃO ESSENCIAIS FOI AUTORIZADO PELA PREFEITURA MUNICIPAL A FUNCIONAR DOS DIAS 27 DE ABRIL A 02 DE MAIO. 

ATENÇÃO O FUNCIONAMENTO SERÁ NO FORMATO DRIVE-THRU, ISSO SIGNIFICA QUE O CLIENTE SERÁ ATENDIDO NA PORTA

NÃO É PERMITIDA A ENTRADA DO CLIENTE NO INTERIOR DA LOJA. 

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO SERÁ DAS 08:00h. às 14:00h. 

NÃO PODEMOS ESQUECER OS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO, COMO MÁSCARAS E LUVAS PARA OS ATENDENTES

A RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO PARA AS PRÓXIMAS SEMANAS DEPENDERÁ, DENTRE OUTRAS COISAS, DO CUMPRIMENTO DAS REGRAS POR TODOS OS COMERCIANTES E CLIENTES. 

NESTE MOMENTO A PROTEÇÃO É ESSENCIAL! 

COMERCIANTE, CUMPRA AS REGRAS! 

CLIENTE, SÓ VÁ ÀS LOJAS SE FOR ESTRITAMENTE NECESSÁRIO! 

SE PRECISAR SAIR, NÃO ESQUEÇA A MÁSCARA DE PROTEÇÃO

FICAR EM CASA AINDA É A MELHOR OPÇÃO!

Comerciantes se adaptando à nova realidade. Um esforço para salvar vidas, empregos e economia!




sábado, 25 de abril de 2020

A COVID-19 ENCONTROU NO SUL DA BAHIA UM CAMPO FÉRTIL PARA SE PROPAGAR. ESTUDOS GEOGRÁFICOS DEVEM SER REALIZADOS!

Sobe para 168 o nº de casos confirmados de Covid-19 no Pará | Pará ...
Foto: Getty Images via BBC


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Não há mais dúvidas: A COVID-19, fez do sul da Bahia seu nicho de melhor estrago. Não vamos perder tempo em busca de culpados ou inocentes. Discussão estéril de quem não quer resolver o problema, quer apenas e tão somente alimentar discussões infrutíferas para perda de tempo e falta de ações.

É necessário sim, ESTUDAR E CONCLUIR: o que tem levado esse vírus a se dar tão bem em nossa região?

Estudos precisaram ser feitos, URGENTEMENTE! Sem muitas reuniões estéreis, DECISÃO! Não há mais tempo para LIVES e discursos. AÇÃO!

Informações colhidas em várias matérias de jornalismo SÉRIO, nos informa que Ilhéus se tornou o segundo município em números de casos. Uma tragédia anunciada!

O Boletim Epidemiológico do dia 24 de abril, nos trás um quadro preocupante:

ILHÉUS: 134 casos confirmados, com 03 mortes **Dados atualizados pela prefeitura

ITABUNA: 104 casos confirmados *Dados atualizados pela prefeitura

URUÇUCA: 14 casos confirmados, com 03 mortes ***Dados atualizados pela prefeitura.

ITAJUÍPE: 08 casos confirmados

COARACI: 08 casos confirmados

BUERAREMA: 06 casos confirmados

Em número de casos na Bahia, Salvador é o primeiro município, Ilhéus vem em segundo lugar e Itabuna em terceiro. Acrescente-se que, depois de Salvador e Lauro de Freitas, os municípios com mais mortes são Ilhéus, Itabuna e Uruçuca. Não perdendo de vista que estamos excluindo 20 municípios dos 26 que compõem o Território de Identidade Litoral Sul. 

Cabe uma análise geográfica da região tentando compreender essa realidade pandêmica. Geográfica?? Sim! Pois a biológica já está bastante conhecida, falta uma análise do espaço geográfico que está sendo palco desse fenômeno.

Em primeiro lugar é preciso informar que no caso de Ilhéus, 80% dos casos da COVID-19, está na área da saúde. Inclusive com 01 médico vindo a óbito. Em Itajuípe é informado que todos os casos são de profissionais da saúde. Itabuna não encontramos dados para sustentar a afirmação.

Já se pode falar em foco localizado. A saúde da região está sendo a área que está sendo a mais atingida e por consequência se pode concluir que tem importância na disseminação  da infecção pelo vírus SARS CoV2. 

Não se deve procurar responsabilizar os profissionais da saúde que se infectam na luta por salvar os pacientes que ali chegam em busca de tratamento e no afã de exercer seu papel profissional terminam por cuidar e NÃO SEREM CUIDADOS .

Se os profissionais da saúde estão sendo contaminados em valores de 80% caso de Ilhéus, se pode afirmar sem medo que OS PROTOCOLOS DE SEGURANÇA NÃO ESTÃO SENDO OBEDECIDOS!  Existem falhas sim! Ou os equipamentos não estão sendo fornecidos em volume adequado, ou estão ultrapassando o limite recomendado de uso com eficácia, ou o fornecido não tem a eficiência necessária ou o pior dos mundos: OS PROFISSIONAIS NÃO ESTÃO SABENDO LIDAR COM OS EQUIPAMENTOS. Fato é: 80% de contaminação de um total, cabe uma investigação.

Analisando o Espaço Geográfico

Os hospitais que estão recebendo até o presente momento os infectados pelo SARS CoV2, são o Costa do Cacau em Ilhéus e Hospital Geral de Ipiaú. 

O Hospital Regional Costa do Cacau apresentou 11% profissionais testados como positivos para   a COVID-19, pode parecer pouco, contudo representa 57 casos positivos. Informações de 22/04. A secretaria de saúde Ipiaú em matéria ao G1, afirmou que todos os 11 casos confirmados são de profissionais da saúde e trabalham no Hospital Geral. Informações de 10/04

Nesse caso não vai ADIANTAR MUITA COISA A QUARENTENA FORÇADA, O COMÉRCIO FECHADO se o foco infeccioso não for combatido. As cidades da região como Itajuípe que possuem profissionais de saúde que trabalham nesses hospitais estarão predispostos a serem infecionados e importarem a COVID-19.

Itabuna e Ilhéus formam quase uma conurbação. O trânsito entre as cidades é muito intenso, mesmo sem o transporte coletivo intermunicipal funcionando, elas possuem dinâmicas simbióticas empresariais. 

Fala-se inclusive na Região Metropolitana de Ilhéus-Itabuna. Ora, isso sustenta que, tendo Ilhéus e Itabuna como focos disseminadores, NENHUMA CIDADE ESTARÁ PRESERVADA DE TER A COVID-19, EM SEU TERRITÓRIO.

Nesse aspecto a geografia não deixa dúvidas, é preciso agir e rápido. Sabe-se que Itabuna pactua saúde com mais de 150 municípios, o que significa várias ambulâncias trazendo pacientes diariamente para ela. Sendo nos hospitais o foco de disseminação, está formada a cadeia da tragédia. 

E nesse contexto não é a sociedade em geral ou os profissionais da saúde, hoje enxergados mundialmente como heróis nessa luta inglória e que se contaminam lutando para salvar vidas que podem resolver o problema. Nesse caso, cabe aos gestores dessas unidades hospitalares promover os devidos cuidados e protocolos. Assim como também é preciso compromisso da sociedade com o apelo dos profissionais da saúde:

"ESTOU AQUI POR VOCÊ, FIQUE EM CASA POR MIM"

É preciso olhar essa Geografia Regional antes que a Matemática nos imponha uma realidade biológica, catastrófica. 




sexta-feira, 24 de abril de 2020

LEIA A ÍNTEGRA DO PRONUNCIAMENTO DE SÉRGIO MORO - DOCUMENTO HISTÓRICO!

Moro confirma demissão e deixa governo que ajudou a eleger e ...
 (Foto: Carolina Antunes/PR)


MITO X HERÓI

Moro ameaça deixar o governo em caso de troca na PF
REUTERS/Adriano Machado

Não somos um país real. Somos uma história em quadrinhos. Somos um folclore. Parece que estamos estamos vivendo dentro de uma realidade paralela, já temos um Brasil paralelo. 

O "mito" não conseguiu conviver com o "heroi". 

Estamos numa revista em quadrinhos?? Estamos numa película cinematográfica?

Assisti: 

MITO X HEROI 
ou 
CAPITÃO AMÉRCICA: Guerra civil 

Fica a critério de cada um. Diante da situação nacional, fico de Capitão América: guerra civil. É menos danoso ao país.

"Bom dia a todos. Quero cumprimentar não só os jornalistas, o pessoal da imprensa, mas especialmente o pessoal do Ministério da Justiça e Segurança Pública aqui presente, muitos também gostariam de estar aqui presente, mas nós buscamos ao máximo evitar aglomerações, não conseguimos totalmente, mas, enfim."



Primeiro eu queria lamentar a realização dessa — eu pediria silêncio para falar sem intervenção. Eu queria lamentar esse evento na data de hoje. Nós estamos passando por uma pandemia da covid-19. Ontem, uma informação lamentável de 407 óbitos, 3.313 óbitos no total. Então, durante essa pandemia, infelizmente tendo que realizar esse evento, busquei ao máximo evitar que isso acontecesse, mas foi inevitável. Então peço a compreensão de todos pela circunstância adversa, mas não foi por minha opção.

Antes de entrar no assunto específico, eu queria fazer só algumas reflexões gerais para poder justificar minhas decisões. Antes de assumir o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública eu fui juiz federal por 22 anos e tive diversos casos criminais relevantes. Desde 2014, em particular, nós tivemos a operação Lava Jato, que mudou o patamar de combate a corrupção no país. Claro que existe muito ainda a ser feito, mas aquela grande corrupção, que em geral era impune, esse cenário foi modificado. Isso foi um trabalho no Judiciário, no Ministério Público, de outros órgãos e na parte da investigação principalmente da Polícia Federal.

Durante esses anos, desde 2014 na Lava Jato, a gente sempre tinha uma preocupação constante de uma interferência do Executivo nos trabalhos de investigação e isso poderia ser feito de diversas formas. Troca do diretor-geral, assim que houvesse causa, troca do superintendente… Tivemos, no início da Lava Jato, o superintendente Rosalvo Ferreira. Convidei aqui para o Ministério, está fazendo um grande trabalho. Depois foi sucedido pelo superintendente Valeixo, também nomeado diretor-geral da Polícia Federal, fazendo também um grande trabalho. Houve essa substituição, mas na época foi pela aposentadoria do doutor Rosalvo e, enfim, foi garantida a autonomia da Polícia Federal durante esses trabalhos de investigação.

É certo que o governo da época tinha inúmeros defeitos, aqueles crimes gigantescos de corrupção que aconteceram naquela época, mas foi fundamental a manutenção da autonomia da PF para que fosse possível realizar esses trabalhos. Seja de bom grado ou seja pela pressão da sociedade, essa autonomia foi mantida e isso permitiu que os resultados fossem alcançados. 

Isso é até um ilustrativo da importância de garantir o Estado de Direito, o “run of law”, a autonomia das instituições de controle e de investigação. Lembrando aqui até um episódio que, em um domingo qualquer durante aquelas investigações, lembro que foi o superintendente Maurício Valeixo que recebeu uma ordem de soltura ilegal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, então condenado por corrupção e preso. Essa ordem foi emitida por um juiz incompetente. Depois, isso foi reconhecido nas demais instâncias, foi graças à autonomia dele, e ao sentimento da necessidade de cumprimento de dever que ele comunicou às autoridades judiciárias e foi possível rever essa ordem ilegal, antes que ela fosse executada, demonstrando empenho dessas autoridades e a importância da autonomia das organizações de controle.

Final de 2018, essa história é um pouco repetida. Eu recebi o convite do então eleito presidente da República Jair Bolsonaro, e já falei diversas vezes, é fácil repetir essa história, porque é verdadeira. E fui convidado a ser ministro da Justiça e da Segurança Pública. O que foi conversado com o presidente, no dia 1º de novembro, foi que nós teríamos o compromisso com o combate à corrupção e ao crime organizado e à criminalidade violenta. Inclusive, me foi prometido na ocasião “carta branca” para nomear todos os assessores, inclusive desses órgãos policiais, como Polícia Rodoviária Federal e a própria Polícia Federal. Na ocasião, até aproveitando aqui um breve parêntese, para desmistificar um dado, foi divulgado equivocadamente por algumas pessoas que eu teria estabelecido como condição para assumir o Ministério da Justiça, uma nomeação ao Supremo Tribunal Federal.

Nunca houve essa condição, até porque seria algo de aceitar um cargo de ministro da Justiça pensando em outro, isso não é da minha natureza. Eu realmente assumi esse cargo, fui criticado. Eu entendo essas críticas. Mas a ideia era realmente buscar um nível de formulador de políticas públicas aqui numa alta posição do Executivo. De aprofundar o combate à corrupção e levar essa maior efetividade em relação ao crime violento e crime organizado.

Tem uma única condição que eu coloquei isso, eu não ia revelar, acho não faz mais sentido manter em segredo e pode confirmado tanto pelo presidente quanto pelo General Heleno. Como contribuí 22 anos para a previdência, entendia que saindo da magistratura eu perderia essa previdência. Pedi apenas, já que nós íamos ser firmes contra a criminalidade, especialmente contra o crime organizado, que é muito poderoso, se algo acontecesse comigo, pedi que a minha família não ficasse desamparada, sem uma pensão. Foi a única condição que eu coloquei para assumir essa posição específica do Ministério da Justiça.

Permito-me aqui dizer que o presidente concordou com todas, com esse compromisso, o combate à corrupção, à criminalidade violenta, à criminalidade organizada. Falou até publicamente que me daria carta branca. Eu já tinha uma expertise por trabalhar com polícia, como juiz, evidentemente em relação à criminalidade organizada, e aceitei novamente com a intenção de realmente fazer com que as coisas evoluíssem. Minha avaliação na época era que essa aceitação ao convite foi bem acolhida pela sociedade. E também vi que estando no governo, como também garantidor, claro que existem outras instituições importantes, Senado, Supremo Tribunal Federal, Ministério Público, mas entendia, pelo meu passado de juiz e pelo compromisso com Estado de Direito, eu também poderia ser um garantidor da lei, da imparcialidade e da autonomia dessas instituições.

Dentro do ministério, me permitam fazer algumas reflexões. A palavra mote tem sido “integração”. Nós atuamos muito próximos das forças de segurança estaduais, até mesmo municipais. Nós realmente trabalhamos duro contra a criminalidade organizada, ouso aqui dizer, claro que tudo isso é sujeito a críticas e segundas opiniões, mas que não houve um combate tão efetivo à criminalidade organizada como houve nessa gestão do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Trabalhando não contra, mas com os governos estaduais. Tivemos o caso, por exemplo, da transferência e isolamento das lideranças do PCC, tivemos recentemente a prisão da maior autoridade do PCC em liberdade, 20 anos foragido no exterior, graças a um trabalho de investigação eficiente da Polícia Federal. Tivemos recordes de apreensão de drogas, é importante tirar drogas das ruas. Tivemos recordes de destruição de maconha no Paraguai, que é nosso principal fornecedor. Números expressivos de apreensão de produto do crime, seja de droga, seja de corrupção, principalmente pela Polícia Federal. Buscamos fortalecer a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal nesse período, com ampliação de concursos existentes.

Levamos massivamente a Força Nacional a todo o território nacional. É uma instituição que, a meu ver, deveria ser fortalecida. Nós estamos, lá no Congresso Nacional uma emenda à Constituição para que possamos ter com o tempo um corpo próprio. Sem prejuízo dos mobilizados, sem prejuízo dos requisitados dos estados. Ela tem sido muito demandada e, às vezes, nós sentimos que não temos perna suficiente. E ela atendeu diversas emergências de segurança pública nesse período. No Ceará, por mais de uma vez, espalhada em terras indígenas, enfim… Nós criamos o Seop (Secretaria de Operações Integradas) nessa linha de fortalecer a investigação. A Seop desenvolveu um programa chamado “Olhos e Vigia”. Talvez um dos primeiros programas efetivos de controle de fronteiras e trabalha em conjunto com forças de segurança estaduais. Investimos em inteligência com centro de fusão. Várias outras áreas aqui do Ministério da Justiça tiveram, a meu ver, um bom ganho de efetividade: área do consumidor, área de imigração, área do Senajus. Aqui é só um retrato, queria fazer algumas justificativas. No momento, o Ministério da Justiça está voltado principalmente ao enfrentamento da pandemia. Isso prejudicou um pouco os planos em curso, embora continuassem, mas estamos cuidando principalmente de EPI, de vacinação, de coordenação das forças de segurança, com o plano nacional de segurança.

Enquanto o Coaf esteve no Ministério da Justiça, eu não pedi que o Coaf viesse, mas foi proposto que ele fosse colocado na estrutura do Ministério da Justiça. Nós o fortalecemos, depois ele acabou sendo transferido para outros órgãos, onde tem presente que a estrutura fortalecida se manteve, acho que isso é muito positivo, também é um órgão de inteligência importantíssimo, que nós devemos inclusive aumentar sua estrutura e melhorar o seu funcionamento. Tivemos o projeto de lei anticrime, que foi a principal mudança legislativa durante o nosso período de gestão. Várias alterações, facilitação de venda de drogas. O Depen fez também um trabalho fantástico, o Ministério Público, a Senad. Desculpe aqui, um pouco cansativo todas essas reflexões. O projeto de lei anticrime poderia ter avanços maiores, infelizmente não foi aprovado em sua totalidade, mas ainda assim na minha avaliação ele representou um grande avanço.

Eu lembro aqui, num dos primeiros projetos que nós fizemos, no Ministério da Justiça, logo no início, foi uma campanha motivacional para os servidores e o tema era “faça a coisa certa sempre”. Então, esse sempre foi o mote, sempre foi a palavra, frase de ordem do Ministério da Justiça e Segurança Pública, faça a coisa certa, não importam as circunstâncias, arque com as consequências, isso faz parte. Acho que com tudo isso, nós conseguimos resultados expressivos, alguns deles eu já mencionei, como as questões de combate ao crime organizado. Mas nós tivemos aqui, permito-me dizer, uma redução expressiva da criminalidade em 2019. Tudo bem, já tinha uma queda em 2018, mas em 2019 nós tivemos uma queda em percentuais sem precedentes históricos, menos 19% de assassinatos, outros crimes caíram percentualmente até mais, de maneira até mais significativa. Mais de 10 mil brasileiros deixaram de ser assassinados. Claro, é um resultado compartilhado com os estados, com os municípios, onde tem combate à violência, ninguém tem dúvida disso, ninguém quer invocar esse mérito específico de maneira exclusiva, até porque a proposta do Ministério da Justiça sempre foi integração. O que importa é o resultado, não quem leva a medalha no final. Mas é muito significativo, isso me deixa muito feliz, que nesse primeiro ano nós tivemos resultados assim tão positivos para queda de violência, que é uma grande aspiração da população brasileira. Claro que temos ainda que melhorar muito esse cenário, mas, enfim, esse é um trabalho que é permanente e duradouro.

Bem, em todo esse período tive apoio do presidente Jair Bolsonaro em vários desses projetos, outros nem tanto, mas a partir do segundo semestre do ano passado passou a haver uma insistência do presidente na troca do comando da Polícia Federal. Isso inclusive foi declarado publicamente pelo próprio presidente. Houve primeiro um desejo de trocar o desejo de trocar um superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro. Sinceramente não havia nenhum motivo para essa substituição, mas, conversando com o superintendente em questão, ele queria sair do cargo por questões exclusivamente pessoais. Então, nesse cenário, acabamos concordando, eu e o diretor-geral, em promover essa troca como uma substituição técnica, com uma substituição de um indicado pela polícia.

Agora tem que fazer uma referência bastante rápida. Eu não indico superintendente da Polícia Federal. Única pessoa que indiquei na Polícia Federal foi o diretor o Maurício Valeixo. Não é meu papel fazer indicações de superintendentes e assim tem sido no ministério como um todo. Eu sempre tenho solicitado, dado autonomia ao pessoal que trabalha comigo. A palavra certa não é subordinado, é equipe, para que eles façam as melhores escolhas. Assim se valorizam os subordinados, desculpe, a equipe, e as escolhas técnicas. Eu tinha notícia quando eu assumi aqui o Ministério da Justiça de que havia rumores de que a Polícia Rodoviária Federal tinha algumas superintendências com indicações políticas. Eu escolhi o diretor-geral, Adriano Furtado, aqui presente, ele pode testemunhar o que eu disse para ele na ocasião que eu falei ‘escolha tecnicamente’. O que não é aceitável de maneira nenhuma são essas indicações políticas. Claro que às vezes existem indicações positivas, mas quando se começa a preencher esses cargos técnicos, principalmente de polícia, por questões políticas partidárias, provavelmente o resultado não é bom para a corporação inclusive.

O presidente, no entanto, passou a insistir também na troca do diretor-geral. O que que eu sempre disse ao presidente: ‘Presidente, eu não tenho nenhum problema em trocar o diretor-geral da Polícia Federal, mas eu preciso de uma causa’. E uma causa normalmente relacionada a uma insuficiência de desempenho, um erro grave. E, no entanto, o que eu vi durante todo esse período, até pelo histórico do próprio diretor-geral, que é um trabalho bem feito. Várias dessas operações importantes de combate ao crime organizado. Operações também de combate à corrupção que foram relevantes. Poderiam até ter mais operações. Mas, normalmente, essas operações elas maturam durante algum tempo e ano passado em particular nós ficamos aí quatro meses sem poder movimentar inquéritos envolvendo lavagem de dinheiro, por uma decisão judicial. Isso também prejudicou um pouco os trabalhos. Mas o trabalho vinha sendo feito e até a queda dessas estatísticas criminais era um indicador relevante de que o trabalho estava sendo positivo.

E há uma questão do nome: tem outros bons nomes para assumir o cargo de diretor da polícia federal. Há outros delegados igualmente competentes. O grande problema de realizar essa troca, primeiro: haveria uma violação a uma promessa que me foi feita inicialmente, que eu teria carta branca. Em segundo lugar não havia um causa para essa substituição e estaria claro que estaria ali havendo uma interferência política na Polícia federal, o que gera um abalo na credibilidade, não minha, minha também, mas também do governo, desse compromisso maior que temos que ter com a lei, com o ‘run of law’. E ia também ter um impacto, na minha opinião, na própria efetividade da polícia federal. E ia gerar uma desorganização. Não aconteceu durante a Lava Jato, a despeito de todos os problemas de corrupção dos governos anteriores. Houve até um episódio em que foi nomeado um diretor no passado, com intuito de interferência política e não deu certo, ficou pouco mais de 3 meses. A própria instituição rejeitou essa possibilidade.

E o problema é que nas conversas com o presidente e isso ele me disse expressamente que não é só troca do diretor geral. Haveria também intenção de trocar superintendentes, novamente o superintendente do Rio de Janeiro, outros superintendentes provavelmente viriam em seguida. Superintendente da polícia federal de pernambuco sem que fosse me apresentado uma razão, uma causa para realizar esses tipos de substituições que fossem aceitáveis. Busquei postergar essa decisão. Às vezes até sinalizando que poderia concordar no futuro com essa possibilidade e até num primeiro momento pensando não de repente pode ser feito pode ser alterado, mas cada vez mais me veio a sinalização de que seria um grande equívoco realizar essa substituição. Ontem, conversei com o presidente, houve essa insistência do presidente. Falei ao presidente que seria uma interferência política, e ele disse que seria mesmo. Falei que isso teria um impacto para todos, que seria negativo, mas para evitar uma crise durante uma pandemia, acho que o momento não é apropriado para isso, eu sinalizei, vamos substituir o Valeixo por alguém que daria continuidade aos trabalhos, alguém com perfil absolutamente técnico e que fosse uma sugestão minha também. Na verdade, nem minha, uma sugestão da própria Polícia Federal.

Eu sinalizei com o nome do atual diretor-executivo da polícia federal, Disney Rosseti, eu nem tenho uma grande familiaridade com Rosseti, mas é uma pessoa de carreira, de confiança e como eu disse, essas questões não são pessoais, não são preferências pessoais. São questões que tem que ser decididas tecnicamente. Fiz essa sinalização, mas não obtive resposta. O presidente tem a preferência por alguns nomes que seriam da indicação deles, não sei qual que vai ser exatamente a escolha, foi ventilado nome de um delegado que passou mais tempo no congresso do que na ativa na Polícia Federal. Foi indicado, sugerido o nome do atual diretor da Abin, tem até um bom nome dentro da Polícia Federal.

Mas o grande problema é que não é tanto essa questão de quem colocar o problema é por que trocar? E permitir que seja feita a interferência política no âmbito da Polícia Federal. O presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que queria ter uma pessoa da confiança pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, relatórios de inteligência. Seja diretor, seja superintendente. E realmente não é o papel da polícia federal prestar esse tipo de informação. As investigações têm que ser preservadas. Imaginem se, durante a Lava Jato, o ex-presidente Lula, a ex-presidente Dilma ficassem ligando para a Polícia Federal em Curitiba para colher informações sobre as investigações em andamento. A autonomia da Polícia Federal, com respeito à aplicação da lei, seja a quem for, isso é um valor fundamental que temos que preservar dentro de um Estado de Direito. O presidente me disse isso expressamente, ele pode ou não confirmar, mas é algo que eu não entendi apropriado. Então, o problema não é quem entra, mas por que alguém entra? E se esse alguém, sendo da corporação, aceitando substituição do atual diretor-geral, o impacto que isso vai ter na corporação, não conseguir dizer não ao presidente a uma proposta dessa espécie, eu fico na dúvida se vai conseguir dizer não a outros temas. Há uma possibilidade que se afirma que o Maurício Valeixo gostaria de sair. Mas isso não é totalmente verdadeiro. O ápice da carreira de qualquer policial federal, de todo delegado federal, é a direção-geral da Polícia Federal. E ele entrou com uma missão. Claro que depois de tantas pressões para que ele saísse, ele de fato até manifestou a mim: ‘Talvez seja melhor eu sair para diminuir essa cisma e nós conseguirmos realizarmos uma substituição adequada’. Ele sairia para alguma adidância para outro cargo, mas nunca isso voluntariamente, mas decorrente dessa pressão que, a meu ver não é apropriada. E o grande problema, uma substituição que seja orientada por causas que possam ser sustentadas, não haveria nenhum problema específico. O presidente também me informou que tinha preocupação com inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal, em que a troca também seria oportuna, da Polícia Federal, por esse motivo. Também não é uma razão que justifique a substituição, é até algo que gera uma grande preocupação.

Enfim, eu sinto que tenho o dever de tentar proteger a instituição, a Polícia Federal. E por todos esses motivos, ainda busquei uma solução alternativa, para tentar evitar uma crise política durante uma pandemia, acho que o foco deveria ser o combate a pandemia, mas entendi que eu não podia deixar de lado esse meu compromisso com o Estado de Direito. A exoneração, que foi publicada, eu fiquei sabendo pelo ‘Diário Oficial’, pela madrugada. Eu não assinei esse decreto. Em nenhum momento isso foi trazido. Em nenhum momento o diretor-geral da Polícia Federal apresentou um pedido formal de exoneração.

Depois ele me comunicou que ontem à noite recebeu uma ligação dizendo que ia sair a exoneração a pedido e se ele concordava. Ele disse, como é que eu vou concordar com algo, uma coisa, eu vou fazer o quê? Se ele já está sujeito a exoneração a pedido. Mas o fato é que não existe nenhum pedido que foi feito de maneira formal. Sinceramente fui surpreendido, achei que isso foi ofensivo, vi que depois a Secom confirmou que houve essa exoneração a pedido, mas isso de fato não é verdadeiro. Para mim, esse último ato também é uma sinalização de que o presidente me quer realmente fora do cargo, não me quer presente aqui dentro do cargo. Essa precipitação de realização da exoneração, não vejo muita justificativa. Eu tenho até outras divergências, tive outras divergências com o presidente da República durante essa permanência aqui. Tive muitas convergências, recebi apoio do presidente em diversas ocasiões importantes, assim como dei apoio ao presidente da República em várias circunstâncias, tive pontuais divergências mas eu acho que como ministro estou numa relação que eu tenho que preservar também a questão da hierarquia. Mas não vou aqui falar dessas outras divergências, isso fica para uma outra ocasião.

De todo modo, o meu entendimento foi que eu não tinha como aceitar essa substituição. Há uma questão envolvida também da minha biografia como juiz, respeito a lei, o Estado de Direito, a impessoalidade no trato das coisas com o governo. E eu vivenciei isso durante a Lava Jato. Seria ali um tiro na Lava Jato se houvesse substituição de delegado, de superintendente naquela ocasião, então eu não me senti confortável. Tenho que preservar a minha biografia, mas acima de tudo eu tenho que preservar o compromisso que foi o compromisso que eu assumi inicialmente com o próprio presidente que nós seríamos firmes no combate à corrupção, crime organizado e criminalidade violenta. Um pressuposto necessário para isso é que nós temos que garantir a lei o respeito a lei própria autonomia da Polícia Federal contra interferências políticas. Certo o presidente indica ele tem essa competência ele indica o diretor-geral, mas ele assumiu um compromisso comigo inicial de que seria uma escolha técnica que eu faria essa escolha e o trabalho vem sendo realizado. Poderia ser alterado o diretor geral, desde que tivesse uma causa consistente não tem uma causa consistente e percebendo que essa interferência política pode levar a relações impróprias entre o diretor-geral, entre os superintendentes, com o presidente da República é algo que realmente não posso concordar.

Um pouco sobre o futuro. De todo modo eu agradeço. Agradeço ao presidente da República, a nomeação que foi feita lá atrás. Acho que nós tínhamos um compromisso e eu fui fiel a esse compromisso. Acho que estou sendo fiel a esse compromisso num momento em que eu me encontro aqui dentro do Ministério da Justiça. No futuro, eu vou começar a empacotar minhas coisas e vou providenciar que o meu encaminhamento, a minha carta de demissão. Eu infelizmente não tenho como persistir com o compromisso que eu assumi sem que eu tenha condições de trabalho e de preservar a autonomia da Polícia Federal para realizar seus trabalhos. Ou sendo forçado a sinalizar um concordância com uma interferência política na Polícia Federal, cujos resultados são imprevisíveis.

Espero que, independente da minha saída, seja feita a escolha de um ou até a própria manutenção do diretor-geral atual, já que o pedido de exoneração não existe. Mas não havendo essa possibilidade que seja feita uma escolha técnica, sem preferências pessoais. Que também, a instituição, dá para se confiar na PF, a PF tem um histórico. Ela vai também resistir a qualquer espécie de interferência política. Tenho crença nisso. Que seja indicado alguém que possa realizar um trabalho autônomo, independente, alguém que não concorde em trocar superintendentes ou delegados por motivos não justificados. O meu futuro pessoal, após disso, eu abandonei esses 22 anos de magistratura. Infelizmente é um caminho sem volta. Mas quando eu assumi, eu sabia dos riscos, vou descansar um pouco.

Esses 22 anos foram de muito trabalho. Em especial, durante todo esse período da Lava Jato, praticamente não tive descanso e nem durante o exercício do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública. Vou procurar mais adiante um emprego. Não enriqueci no serviço público, nem como magistrado nem como ministro. E quero dizer que independentemente de onde eu esteja eu sempre vou estar à disposição do país para ajudar o que quer que seja, se eu puder ajudar nesse período da pandemia com outras atitudes. Mas, enfim, sempre respeitando o mandamento do ministério da Justiça e Segurança Pública nessa gestão que é fazer a coisa certa sempre. Muito obrigado”.

Fonte:

quinta-feira, 23 de abril de 2020

QUAIS OS DESAFIOS PARA A EDUCAÇÃO PÚBLICA DIANTE DA PANDEMIA DE COVID-19? - ENTREVISTA COM JERÔNIMO RODRIGUES -SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA




Entrevista para a revista Brasil de Fato

Desde a chegada da COVID-19 no Brasil, uma série de medidas em diversos setores vêm sendo tomadas para evitar a contaminação das pessoas. Na Bahia, o Governo do Estado decretou isolamento social desde o dia 16 de março. Apenas atividades essenciais seguem acontecendo. Na rede pública de ensino, de acordo com o último decreto do governador Rui Costa (PT), as aulas seguem suspensas até o 3 de maio.

Diante do cenário, gestores, professores, estudantes e famílias vêm buscando alternativas para diminuir os prejuízos. Na Bahia, o projeto Vale Alimentação Estudantil foi aprovado pela Assembleia Legislativa da Bahia na terça-feira (14) e concederá auxílio alimentação no valor de R$55 para todos os estudantes da rede estadual de ensino enquanto durar o isolamento. A Secretaria de Educação do Estado, em parceria com diversas instituições, também vem promovendo algumas atividades on-line para estudantes e professores. Para saber sobre essas e outras medidas, bem como os principais desafios para a Educação, conversamos com o secretário de Educação da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).




BdF BA: Quais estratégias vêm sendo adotadas desde o começo da pandemia na Bahia?



Jerônimo Rodrigues: 

Sinto um desafio muito grande em relação ao que fazer. Uma coisa é quando encontramos uma situação de greve de professor, por exemplo, na qual não temos o serviço da aula na escola, mas a vida está normal para outras coisas, para fazer o trânsito de um lugar para outro. Agora não. A regra é ficar em casa para evitar a transmissão comunitária. Não estávamos prontos para isso. Porque, imagine, se eu pudesse me movimentar, eu ia nas comunidades com meus professores e levávamos os exercícios para os estudantes fazerem em casa. Fazia uma espécie de entrega domiciliar. Mas nem isso a gente pode fazer.


Ainda na primeira semana, depois do decreto do governador, chamamos uma reunião com todos os reitores das quatro universidades estaduais da Bahia para sondar a situação do calendário, como seria essa paralisação de imediato e quais deveriam ser os cuidados. Já apareceu a necessidade de criarmos uma plataforma para disponibilizar material de leitura, de estudos e de exercícios. Importante destacar que o decreto não nos obriga a contabilizar a atividade acadêmica domiciliar

Na semana passada, fizemos uma live com o educador português Antônio Nóvoa para dar início ao curso de formação de professores à distância. Essa aula está em 30 mil acessos. Com esse curso, nós estamos capacitando cerca de 10 mil profissionais da educação da Bahia, entre diretores, coordenadores e professores. Nós temos uma TV pública no estado, a TVE, que todos os dias, de 13h às 15h, exibe o Estude em Casa, programa que é uma parceria com a Fundação Roberto Marinho e o Canal Futura. Surgiu muita provocação da educação do campo também sobre a necessidade de utilizarmos programas de rádio, assim como estamos fazendo na TV.



Qual o impacto desse isolamento para os estudantes baianos?



No momento, estamos há 32 dias letivos sem aulas. Se tivermos mais 15 dias de isolamento, ainda assim conseguiremos pagar de forma presencial esses dias até o dia 23 de dezembro. Por isso, estamos, como se diz aqui no Nordeste, comendo mingau pelas beiradas. Aguardando passo a passo as orientações da Saúde e as determinações do governador. Se percebermos que vamos precisar de mais tempo, pensaremos como compensar isso sem prejudicar o ano seguinte.

Enquanto isso, estamos fazendo o exercício dessa plataforma. Nesse caso, é para quem tem acesso à internet. E, aqui, eu faço uma observação: não dá para imaginar que vai ser qualquer internet. Uma coisa é você ter internet para acessar WhatsApp, a outra é você ter internet para baixar um arquivo, um livro. Aliás são três aspectos que precisam ser levados em conta quando falamos do uso dessa ferramenta: o serviço, ou seja, a internet; os equipamentos, a pessoa pode ter um bom acesso à internet, mas não ter um bom computador ou celular; e a formação para o uso. Nós temos professores que têm internet e equipamentos bons, mas não tem a formação de como se trabalha com ferramenta à distância.

"Se o Estado, no sentido amplo mesmo, é chamado para suprir a segurança alimentar e nutricional dos estudantes numa época de pandemia é porque os estudantes não tem grana para comer."
O que precisa ser levado em conta quando se pensa em educação à distância?

O Brasil inteiro agora está trazendo a Educação para fazer ações, novamente, que não deveriam ser da escola. Não é função da escola alimentar os estudantes. O papel da escola, no campo da alimentação escolar, é ser um complemento, não ser a alimentação mais importante. E agora, no Brasil inteiro, estamos tendo que entrar com vale alimentação para substituir um papel que é da assistência social. Veja, para responder à pergunta em relação à internet e tecnologia, se o Estado, no sentido amplo mesmo, é chamado para suprir a segurança alimentar e nutricional dos estudantes numa época de pandemia, é porque os estudantes não tem grana para comer. Se não têm grana para comer, onde é que está a internet? Eles não vão ter condições de assumir uma responsabilidade de ter um bom serviço de internet em casa. Isso é na educação pública em geral. Se formos falar de ensino privado e nos grandes centros, talvez não tenhamos essa dificuldade, porque a classe média comporta isso. Mas se formos para o conceito de educação fundamental em lugar pequeno, lá também os estudantes não vão ter condições de ter internet boa. Se não temos internet, como vamos trabalhar o tema da educação à distância, da educação domiciliar. É um grande desafio para nós.

Não tenho preconceito algum com educação à distância, nem o governador Rui Costa. Nós temos que utilizar as ferramentas da educação à distância a partir da necessidade e entendendo suas capacidades e limites. Sem podermos ter um encontro presencial com os estudantes, alguém tem que ajudá-los em casa. É a família? Ela tem competência para isso? Onde nossos estudantes moram, tem um ambiente, uma sala, com mesa e cadeira? Recebemos diversas fotos de estudantes sentados no chão, porque moram no aperto. Não estou colocando a dificuldade diante da situação. É que a pandemia traz essas reflexões. Espero que a gente possa refletir sobre isso.



Quais os desafios, pensando na característica do nosso estado? 



Quando nós fizemos a plataforma, pensamos que existiriam os limites de acesso. A Bahia tem uma população rural muito grande – são quilombolas, indígenas, povoados, distritos. Grande parte dos nossos municípios têm população de 30 a 50 mil habitantes. São municípios rurais. Então, como é que eu chego a esse outro público que não tem acesso à internet. E nem precisa ir para o interior. Podemos pensar nas periferias de Salvador, onde não chega bom sinal de internet. 

Nós estamos com a cabeça quente e com boas intenções. Mas estamos num apagão e não estávamos prontos. No máximo temos velas para acender, e velas, em meia hora, acabam. Você imagina, nós temos cerca de 30 mil estudantes da educação especial, que, na escola, precisam de um cuidador, um tradutor de libras. Eles estão em casa, sem nenhuma pessoa com a instrução devida que um profissional da educação especial tem.



É possível fazer uma breve avaliação do que já vem sendo feito?



O prazo é muito curto. Nós estamos falando de um mês e quatro dias de isolamento. E, assim, ainda com certa tensão psicológica das pessoas, que, primeiro, precisaram parar para entender o que é isso, como se comporta, como fica em casa. Diante também da tremenda irresponsabilidade de um Governo Federal, de um presidente, de um ministro da Educação que não acolhe a responsabilidade como nós acolhemos aqui. Na Bahia, a ordem é a seguinte: enquanto tiver risco de saúde pública para estudante, professor e funcionário a gente não começa as aulas. Só iniciaremos quando tivermos uma firmeza de que a situação está pelo menos mais tranquila. E, a nível nacional, nós temos um governo que estimula que a gente tem que voltar. Tudo isso causa um desconforto.

Nesse momento, nós temos reunido quase que semanalmente com a União dos prefeitos. Quanto aos estudantes do campo, esperamos que essa semana consigamos estruturar alguma atividade concreta. Não temos nenhuma iniciativa em outros estados, nesse sentido, que pudesse servir como exemplo.



Como tem sido o diálogo com as instâncias federais?



Nós temos um Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) muito afinado, trocando experiências. Além da própria União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), tanto a estadual quanto a nacional, que reúne os secretários. Alguns órgãos, por exemplo, o BNDES e a Fundação Getúlio Vargas também têm colaborado. A nível de Nordeste é importante registrar o Consórcio, e nós sentamos para alinhar essas decisões. Agora quando se trata do MEC, as coisas do FNDE eu posso dizer que andam naquilo que é uma decisão mais técnica, que não dependa de uma decisão política. Quando foi para tratar da questão da alimentação nesse período, não tivemos um retorno a contento. Então não temos o MEC parceiro nosso para cuidar dos estudantes nesse momento. Não estou dizendo de dinheiro não. Estou dizendo de decisões, de enfrentar junto. A decisão quanto à manutenção das datas de realização do ENEM é sem nexo. Sabemos que vamos ficar dois ou três meses prejudicados e nós temos que tomar uma decisão o mais combinada possível entre as redes públicas e privada de ensino. Isso era para ser dialogado, mesmo se pudéssemos manter as datas. É uma relação que não sentimos firmeza naquilo que chamamos de regime de colaboração.

"E não é fácil, porque estamos numa sociedade que se estrutura a partir de um modelo que tem que ter excluídos, que, numa hora dessa, tem que precisar de uma cesta básica para sobreviver."

Como a gestão está se preparando para o retorno às atividades presenciais? 

Olhe, operacionalmente falando, se forem dois meses ou três meses de isolamento, me parece que haverá um prejuízo menor no sentido da reposição, da retomada. Mas aí já implica em riscos para o ano letivo e implica em um conjunto de decisões que precisam ser tomadas, inclusive legalmente.

Agora no sentido da concepção, acho que muita coisa muda. Nós não podemos deixar para depois uma reflexão sobre essa situação que veio à tona em relação ao que significa educação à distância, o papel da família, o papel da escola. Outro tema é a relação de colaboração entre os entes federados. Eu percebo muita empatia dos movimentos em quererem dar as mãos e fazer junto. Importante também discutir o tema da tecnologia, o papel da internet enquanto ferramenta pedagógica que possa fortalecer o processo de aprendizagem. E não é fácil, porque estamos numa sociedade que se estrutura a partir de um modelo que tem que ter excluídos, que, numa hora dessa, tem que precisar de uma cesta básica para sobreviver, para passar uma pandemia. Isso é triste para gente. É duro. 

Acho que a gente está vendo a importância das universidades num momento como esse, não só resolvendo problemas operacionais da saúde, mas também, no caso da gente aqui, na relação entre educação superior, educação básica, educação infantil, formação de professores.

Então vai depender muito do prazo que dura isso. Entramos no segundo mês e já estamos cansados, sufocados, no estresse.

Vai depender muito também, eu acho, do que pode acontecer nesse mês de maio. Há uma expectativa de perdas de vida. Por isso estamos clamando para que as pessoas fiquem em casa. Se houver mortes em um número muito grande, me parece que isso vai se sobrepor um pouco a situação das pressas. Se mais um mês a gente acabar sem muitas perdas de parentes, de irmãos, de amigos nossos, acho que vai ser um cenário de animação, de fome pelo estudo, pela escola, todo mundo querendo voltar a escola. Isso é bacana, dá uma animada. Mas se tiver muitas perdas, a gente pode sofrer com isso.

Encerro dizendo que nós que estamos a frente não podemos trabalhar com medo. Essa é a hora que nós que estamos liderando precisamos nos pronunciar para os colegas, estudantes e para a sociedade.


Edição: Elen Carvalho
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