segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Hoje o indivíduo se explora e acredita que isso é realização.

  

“A sociedade do trabalho e a sociedade do desempenho não são sociedades livres. 

Elas geram novas coerções. 

A dialética do senhor e escravo está, não em última instância, para aquela sociedade na qual cada um é livre e que seria capaz também de ter tempo livre para o lazer. Leva, ao contrário, a uma sociedade do trabalho, na qual o próprio senhor se transformou num escravo do trabalho. 

Nessa sociedade coercitiva, cada um carrega consigo seu campo de trabalho. A especificidade desse campo de trabalho é que somos ao mesmo tempo prisioneiro e vigia, vítima e agressor. Assim, acabamos explorando a nós mesmos. Com isso, a exploração é possível mesmo sem senhorio”


– Byung-Chul Han, em “Sociedade do Cansaço”.[tradução Enio Paulo Gianchini]. São Paulo: Editora Vozes, 2015

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado pela contribuição e participação