domingo, 10 de maio de 2020

A COVID-19 SE INTERIORIZA, OS ESPAÇOS OPACOS ENTRAM NO CIRCUITO DA DOENÇA. 44% DOS MUNICÍPIOS ENTRE 20 E 50 MIL HABITANTES JÁ POSSUEM CASOS POSITIVOS.

Médicos em um hospital
Fonte: Icict/Fiocruz

A GEOGRAFIA ALERTAVA, MAS A SAÚDE E A ECONOMIA DESPREZARAM O ALERTA! 
AGORA SÓ RESTA A ESTATÍSTICA!  

Como era de se esperar a COVID-19, se espalhou primeiramente pelas grandes metrópoles dos países desenvolvidos. Depois nas grandes cidades dos países subdesenvolvidos. São os espaços luminosos do planeta, espaços de grandes fluxos de pessoas, recursos e capital financeiro. São os espaços do meio técnico-científico-informacional.

Segundo estudos da Fiocruz, analisando as Regiões de Influências das Cidades (REGIC), municípios com até 20 mil habitantes, apresentaram nas últimas duas semanas estatisticamente um crescimento na ordem de 50% nos casos de contaminação pela COVID-19. 

A interiorização da COVID-19, vai trazer para o sistema de saúde uma sobrecarga já esperada, porém, parece que de pouca ou nenhuma importância serviu essa observação precoce. Os grandes centros urbanos, aqui destacados as cidades de médio e grande portes, possuem uma estrutura hospitalar e de recursos, incapazes em muitos casos de atender a sua demanda interna, acrescentar a essa demanda, as das municipalidades polarizadas, será uma situação que não apresentará bons prognósticos. 

O avanço da COVID-19, para as cidades de pequeno porte, os espaços opacos, onde o fluxo de pessoas, recursos e capital financeiro são reduzidos e carentes de forma geral de infraestrutura física e recursos humanos, pode vir a causar uma grande catástrofe de letalidade. 

De forma geral os municípios abaixo dos 50 mil habitantes, não possuem hospitais com equipamentos para atender a demanda de casos de média e alta complexidade. Todos são deslocados para os centros urbanos que comandam as Regiões de Influências das Cidades (REGIC). Existem municípios que nem maternidade possuem, os nascimentos são feitos nessas cidades polarizantes. Imagine uma UTI!

O modelo de saúde estadunidense (EUA), centrado na atenção médica individual e tendo como eixo o hospital, onde os grandes centros hospitalares de média e alta complexidade são sempre estruturados nos grandes centros urbanos, se mostra numa pandemia, altamente INEFICIENTE. Haja vista a situação dos Estados Unidos hoje na pandemia da COVID-19. O Brasil optou por esse modelo, CURATIVO E CONCENTRADOR!

Analisando o caminho da pandemia percebe-se que de Wuhan-China, ela seguiu o fluxo do meio técnico-científico-informacional. De Wuhan para a Europa-EUA e deles para o resto do planeta. Primeiramente nos espaços luminosos desses territórios e depois para os seus espaços opacos e por fim no resto do planeta seguiu o mesmo modelo.

No Brasil segue CRUELMENTE esse modelo. Chegando ao espaço luminoso RIO-SÃO PAULO, e primeiramente nos seus espaços luminosos internos (Bairros classe A/B) e posteriormente para seus espaços opacos (Periferias). Daí então, segue seu curso para os outros Estados. Em todas as grandes capitais de Estados do Brasil no foi diferente. Apesar do grande número de casos da COVID-19, no grande espaço luminoso RIO-SÃO PAULO é no espaço opaco MANAUS-BELÉM, que o estrago está sendo visivelmente aterrorizante. 

Na popularmente chamada Região Sul da Bahia, se segue o mesmo modelo. Sendo possível afirmar: NÃO PRESTARAM ATENÇÃO À GEOGRAFIA DO DESLOCAMENTO DA COVID-19. O eixo ILHÉUS-ITABUNA é o espaço luminoso da região. Onde se concentra o meio técnico-científico-informacional proporcional à sua importância e tamanho. As cidades polarizadas seus espaços opacos. Vide as imagens abaixo:

Fonte: IBGE 
 

A imagem acima é da Região de Influência da Cidade de Itabuna no aspecto saúde. De Wenceslau Guimarães até Santa Luzia. Claro que se sabe por convivência e experiência que Itabuna polariza muito mais cidades que a elencada pelo IBGE, o que torna o problema ainda maior!! É comum carros da Secretaria de Saúde de municípios como Mascote, Camacan, Potiraguá dentre outros na cidade de Itabuna. 


Fonte: IBGE

Já a imagem acima é da Região de Influência da Cidade de Ilhéus. De Maraú até Canavieiras. Muitas dessas cidades elencadas para Ilhéus também buscam Itabuna. Este é mais um complicador para a cidade de Itabuna. É muito comum carros das Secretarias de Saúde dos municípios Maraú, Una e Uruçuca dentre outras cidades.

No aspecto da saúde Itabuna é o grande espaço luminoso da região sul baiana. Com o Hospital Regional Costa do Cacau inaugurado dentro do território do município de Ilhéus, na rodovia BR 415, trecho Ilhéus-Itabuna e atendendo média e alta complexidade, esse perfil sofrerá alterações ao longo dos anos.

O avanço da COVID-19, por esses espaços opacos da região sul baiana, começa agora a mostra sua face mais terrível. As mortes antes concentradas nas duas maiores cidades, começam a ocorrer nas cidades menores apesar de estarem em muitos casos isoladas pela suspensão do transporte intermunicipal. Porém, a infecção se propagou. Primeiramente por casos importados do eixo RIO-SÃO PAULO, atualmente a transmissão comunitária já é fato consumado.






Um comentário:

  1. Realmente este que ocorre. Dos grande centros para as cidades menores. Reforçando vc que perde o emprego na cidade grande, volta para casa no interior. Fecha o ciclo...

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